quinta-feira, dezembro 13, 2007

Índia

Como eu disse num post anterior eu perdi o arquivo que eu tinha sobre a Índia. Mas pra não deixar esse país um tanto quanto diferente passar em branco eu criei paciência pra escrever algumas coisas de novo.


Índia, por onde começar? Hummm, deixe-me ver. Característica mais marcante: pobreza. Não, não, acho que é a bagunça. Ainda não... quem sabe não seja a sujeira. Ah! já sei! A sujeira em meio a toda a bagunça acentua os traços de pobreza da Índia. Agora sim começou a ficar com cara de Índia.

Não que eu queria assustar alguém com o primeiro parágrafo, mas se um dia você for pra Índia essas serão as primeiras palavras que virão a sua cabeça (a não ser que você fique num hotel 5 estrelas e não sai para ver a realidade). Eu sei que em alguns países de terceiro mundo que eu visitei eu falei de pontos parecidos com esses, mas acreditem, a Índia está em outro nível.

Afinal em nenhum outro país eu avistava barata e rato no chão do restaurante. Em nenhum outro país eu dormia perto de um monte de pombo que tentavam atacar o nosso quarto à noite. Em nenhum outro país eu tive que desviar de tanta vaca no meio da rua.

Falando das vaquinhas, realmente existem vários desses deuses passeando pela rua. É estranho no começo, mas você até que se acostuma rápido. Claro que isso não quer dizer que alguns fatos extraordinários deixam de acontecer. Como uma vaca cair do telhado de uma casa e quase acertar dois atromelados na cabeça (sim, isso aconteceu!). Ou o seu chinelo arrebentar no meio da rua e justamente o passo seguinte ser exatamente em cima das fezes de um desses queridos animais.

Mas não vai achando que a Índia é só essas coisas ruins que eu falei até agora. O país é bem interessante e muitas vezes até intrigante e surpreendente. Quando você começa a ver o lado religioso do país, a cultura em geral e como isso afeta o comportamento da população a perspectiva muda bastante.

Para ilustrar, um dia a gente queria economizar uma grana e decidimos pegar um ônibus totalmente local para uma cidade vizinha, viagem de uns 40 km que deve ter durado quase uma hora. Quando a gente entrou no ônibus – depois de muito mimiquês – descobrimos que éramos os únicos gringos em meio a um ônibus lotado de indianos humildes. Todo mundo olhando pra gente, tava na cara que a gente era um corpo estranho ali. Numa situação dessas no Brasil a gente teria sorte se saísse com as roupas no corpo, ainda mais porque o ponto final do ônibus era um breu total. Mas na Índia foi bem diferente. Durante o percurso do ônibus algumas pessoas tentaram desenrolar o pouco inglês que tinham para ajudar a gente a chegar no lugar que a gente tinha que ir. Quer dizer, as pessoas estavam curiosas e tentando ajudar os gringos que não sabiam o que estavam fazendo, enquanto no Brasil a galera tenta é enganar o gringo otário para tirar vantagem.

Quando você conversa com outros turistas sobre a Índia toda essa impressão sobre sujeira, bagunça e pobreza transparece. Mas a verdade é que com o crescimento rápido que a Índia está experimentando nos últimos anos isso pode se resolver facilmente. Agora será que a mentalidade geral da cultura brasileira de tirar vantagem pode ser mudada tão facilmente?

É, cada país com o seu problema e cada pessoa com a sua opinião...


PS: os posts estão bem atrasados, mas as fotos o Sósia tá mantendo em dia. É só acessar http://picasaweb.google.com/matheus.beccalli

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Mais Videos

Fala galerinha! O Ivan fez mais um video entao eu vou liberar o link por aqui para quem quiser ver...

Video da Europa: http://www.youtube.com/watch?v=hgeUAmjTfew

Video dos EUA (antigo): http://www.youtube.com/watch?v=CmKsCrIwdnY

Abraco

sexta-feira, novembro 30, 2007

Algumas Noticias...

Soh para nao deixar todo mundo sem noticias (pricipalmente minha mae, que fica preocupada) vou colocar umas noticias rapidas por aqui...

Depois da India a gente partiu pra Tailandia como programado e tambem como programado todos os 6 atromelados se reencontraram (o que nao acontecia desde dos Estados Unidos). O plano incial era sair da Tailandia pelo norte e passar um tempo no Laos, Vietna, Camboja e depois voltar para a Tailandia, dessa vez pro sul, pra passar o fim do ano. Mas deu a louca na galera e a gente decidiu abondonar esse plano e partir pro surf na indonesia.

Partimos da Tailandia pra Bali, compramos 6 pranchas de surf e agora a gente tah em Lombok. Uma ilhazinha do lado de Bali que tem muita onda e pouca civilizacao. Por isso a total falta de noticias ultimamente... A internet aqui eh algo raro (soh dah pra conectar por celular) e nao eh nada barata, entao jah sabe como eh.

Eu tinha um post pronto sobre a India, mas de alguma forma o arquivo se perdeu no meu computador entao sinto dizer que a India vai ficar sem post. Ou nao, se eu tiver paciencia de escrever outro...

Acho que por agora eh isso. Um grande abraco a todos e quando eu voltar para a civilizacao eu mando mais noticias.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Meditação e Budismo – Um Outro Mundo

Antes de qualquer coisa, se você está procurando informações sobre budismo ou meditação não leve nada que eu falar aqui em consideração. O que eu vou descrever aqui é, na verdade, uma mistura de conceitos de budismo com os meus pensamentos e não deve ser, de forma alguma, interpretada como fatos. Para quem estiver realmente interessado no assunto vale conferir também os blogs do Felipe, Ivan e Pato para pegar outras perspectivas. Os links pros blogs estão ai ao lado.


Antes de prosseguir deixa-me esclarecer um ponto. Mesmo se tratando de uma religião com sua fé, crendices e dogmas o budismo tem um lado racional e lógico muito forte. Esse lado é incentivado por todos os praticantes inclusive pelo Dalai Lama (esse seria o equivalente ao Papa pro budismo). Os ensinamentos são dados e os ouvintes são incentivados a não tomar a palavra dita como verdade absoluta, mas sim refletir e meditar sobre o assunto para tirar as próprias conclusões.

É nessa parte de pós ensinamento que entra a meditação. Os budistas acreditam que nós ocidentais perdemos grande parte daquilo que nos é ensinado por falta da meditação. De acordo com os budistas o aprendizado é dado em três etapas: ouvir, refletir e meditar. A meditação é de grande importância porque caso você seja um bom meditador você pode livrar sua mente de todas as distrações e focalizar em um só assunto e com isso chegar a conclusões mais profundas. O que faz bastante sentido, não?

Claro que se eu disser que não há apelo para a fé no budismo eu estaria mentido, afinal trata-se de uma religião, mas a grande base do budismo está em pensamentos racionais. Então quando eu me referir ao budismo eu estarei me referindo a essa parte racional, a parte que muitos ocidentais encaram como filosofia, e não a religião budista como um todo.

Só para levantar um pouco da curiosidade de vocês sobre o assunto. Uma das frases mais famosas do Dalai Lama é: “Minha religião é a bondade”. Difícil provar racionalmente que a religião desse cara é ruim...

Enfim, vamos entrar em assuntos mais práticos. O curso que fizemos era Introdução ao Budismo e a meditação, como já foi dito, é uma ferramenta indispensável que o budismo usa para atingir melhores resultados. As teorias do Budismo estão se espalhando rapidamente pelo mundo todo, foi dito durante o curso que o budismo é a religião que cresce mais rapidamente no ocidente e o número de livros sobre budismo em inglês é algo impressionante. Mas depois que você conhece um pouco sobre o assunto faz bastante sentido essas informações estarem se espalhando tão rapidamente.

Digo que faz sentido porque o budismo abre um novo mundo de informações que nós da civilização ocidental não tínhamos idéia da existência. Enquanto a nossa civilização, por milênios, buscava a evolução através da invenção de novas tecnologias os budistas procuravam a evolução através do conhecimento da mente. Quer dizer, enquanto nossos cientistas olhavam para fora em busca da evolução, em busca da explicação de fenômenos, em busca de conforto e felicidade os budistas olhavam para dento em busca das mesmas respostas. Com essa idéia na cabeça e em contato com algumas teorias iniciais do budismo não tem como não ter certo respeito e curiosidade pelo assunto.

Mas não me entenda mal. Quando o papo fica mais religioso e menos racional, por exemplo quando se começa a falar de karma e reencarnação, esse respeito muda. Os budistas dizem que é porque você não está tão mentalmente desenvolvido ainda e por isso esses assuntos não te parecem racionais, mas eu prefiro acreditar que são apenas crendices religiosas.

Desenvolvendo um pouco o raciocínio budista e algumas idéias que eu criei durante o curso o raciocínio lógico básico seria, mais ou menos, o seguinte:


Princípios:

1) Todos os seres vivos querem ser felizes e não querem sofrer.

2) Tudo é impermanente.

3) Todos os seres vivos têm a capacidade de ser feliz.

Conclusões:

1) Analisando o princípio 1 e 2: Se todos os seres vivos querem ser felizes e não querem sofrer e na vida tudo é impermanente a felicidade deve estar na forma como cada indivíduo vê as coisas e não nas coisas em si.

Exemplo 1: Se você considera que a sua felicidade está em jogar futebol com os seus amigos no fim de semana, no momento que você sofrer um acidente e não puder mais jogar futebol você não será mais feliz.

Exemplo 2: Se você considera que a sua felicidade está no seu dinheiro a partir do momento que você, por um motivo qualquer, perdê-lo você também perderá a sua felicidade.

Explicação: Um dos sentimentos que o budismo combate é o apego. O fato de se apegar as coisas/pessoas pode te trazer sofrimento e o apego não é necessário para te trazer felicidade. Nietzsche disse “O que não mata, fortalece” o que é uma verdade. O fato de superar um sofrimento te deixa mais forte e experiente, mas quem disse que era necessário sofrer?

O pensamento budista mostra que se você conseguir enxergar as coisas sem apego (o que não é nada fácil) não haverá razão para sentir tristeza quando essas coisas se acabarem. Por exemplo, se você conseguir condicionar a sua mente a perceber que na verdade você gostava era de estar com os seus amigos e não do futebol em si você poderá continuar sendo feliz fazendo outras atividades com seus amigos. Simples bom senso, né?

2) Analisando o princípio 1 e 3: Se todos os seres vivos querem ser felizes e não querem sofrer e todos tem a capacidade de fazê-lo então não faz sentido a felicidade de um estar acima da do outro.

Exemplo: Palavras do Dalai Lama: “Se você quer ser egoísta seja um egoísta sábio. Dedique-se para o bem dos outros”. Ele desenvolve o raciocínio, mas eu não lembro com exatidão então prefiro não arriscar. Mas a mensagem final que ele quer passar é a de que quando você faz algo que traz felicidade para uma pessoa você também se sente feliz e essa pessoa vai ter uma tendência natural em querer retribuir (na maior parte dos casos). Ou seja, com uma ação genuinamente não egoísta você terá pelo menos dois momentos de felicidade, enquanto que com uma ação egoísta você terá no máximo somente um momento de felicidade e possivelmente alguns momentos de infelicidade, caso além de egoísta a ação seja também maldosa com outra pessoa.

Conclusão: A compaixão é um sentimento que deve ser cultivado de acordo com o raciocínio budista. Ela deve ser vista, genuinamente, como uma forma de ajudar os outros, mas no fim das contas a compaixão também servirá para te ajudar. Parece fazer sentido, certo?


Os princípios, as análises e as conclusões acima tentam de forma lógica atacar o ego. A percepção natural de que temos nossas habilidades para uso próprio é inexistente num estágio avançado de budismo. Essa percepção é, na verdade, a raiz mais profunda dos problemas. Sem essa percepção qualquer tipo de problema, por mais complicado que seja, será apenas um pequeno problema.

Como ponto final de análise o budismo coloca a falta de realidade absoluta. Tudo que vemos, sentimos, tocamos e por ai vai não é a realidade em si, mas sim a interpretação que a nossa mente tem da realidade. Ou seja, tudo que vimos é influenciado pelo o que a nossa mente nos mostra. Se você tem certo controle da mente é possível chegar cada vez mais perto da realidade em si, mas se você não se preocupa de forma alguma em controlar o que a sua mente te mostra você se distanciará cada vez mais da realidade. Um exemplo simples disso seria uma pessoa com depressão. O controle que essa pessoa exerce sobre a própria mente é tão pequeno que a interpretação que a mente tem da realidade é deturbada de uma forma que uma pessoa oferecendo ajuda pode se tornar um otário que não liga para o seu sofrimento.

Numa analogia mais simples de entender. Todos estaríamos sempre usando óculos mesmo tendo vistas perfeitas. À medida que você for percebendo que as coisas ao seu redor não são exatamente como você as vê, mas sim uma mistura entre a influência dos óculos e da sua visão você poderá ir diminuindo o grau dos seus óculos e enxergar a realidade mais perfeitamente.

O budismo diz que quanto mais raiva, apego e ego você tiver mais forte serão as lentes dos seus óculos. Em contrapartida, quanto mais felicidade, compaixão e sabedoria você tiver maior será a sua facilidade em perceber como as coisas realmente são.

Eu sei que com a analogia a idéia perde um pouco da sua complexidade e muito do seu valor. Para aqueles que queiram entender mais a fundo, e sem o uso de analogias, o que eu estou tentando dizer sobre essa inexistência de realidade absoluta, ou como diz o budismo “falta de existência inerente”, eu recomendo muito estudo e meditação. Afinal, conhecimento, entendimento e sabedoria sempre ajudam, e se alguém for bem entendido no assunto, por favor, me explica depois :-).

Sei que tudo isso parece meio (ou bem) viajado, mas quando você está meditando essas coisas vem na sua cabeça e fazem tanto sentido que é difícil contrariar. Mas eu imagino que para quem está lendo não faz tanto sentido. Eu diria que isso é o tipo de coisa que não adianta falar, você tem que chegar na conclusão por si só (pra quê mesmo que eu falei isso tudo então?)


Só agora eu percebi que eu mal comecei a escrever sobre o assunto e já tem mais de três páginas, então eu vou parar por aqui senão ninguém vai ter paciência de ler. Acabei não escrevendo nada sobre o silêncio nem sobre as idéias malucas que passaram pela minha cabeça. Quem sabe nos próximos posts...

Para aqueles que se interessam pelo assunto eu recomendaria procurar mais informações em livros. Existem várias publicações sobre budismo em inglês e acredito que também devam existir várias em português. Se alguém quiser pode mandar perguntas por e-mail ou colocar algum comentário que eu ficarei feliz em responder (caso eu saiba a resposta).

segunda-feira, outubro 29, 2007

África do Sul

Tentei fazer algo diferente para esse post e não ficou nada bom (pra não dizer bem ruim). Mas como conta a nossa viagem pela África do Sul decidi postar mesmo assim. Então fiquem à vontade para fazer piadinhas, tá tranqüilo.

Atromelados Zelados


Vindo pelos ares
De outros lugares
Na África zelados
Os Atromelados

Chegando alugam
Um KIA Picanto
E pro meu espanto
Não se perdem tanto

A primeira parada
É Johanesburgo
Morgana é buscada
E risadas são dadas

De lá pro safári
Girafa e leopardo
Leão de araqui
Não mata veado

Não fique cansado
De Jo’burg a Durban
Com a Mogui do lado
Calado não dá

Pegando umas ondas
Nas águas geladas
Do lado de píer
Difícil agüentar

A chuva não pára
Estragando a praia
E é pra East London
Que vamos tocar

A chuva persegue
Mas Port Elizabeth
Guardava o sol
Que tanto merece

E no karaokê
Despeço da Mogui
Sem mesmo saber
O que íamos fazer

Chegou Jeffreys Bay!
Não sei esquecer
A tarde que fez
Três noites valer

Não consigo explicar
A sensação de surfar
Com baleias do lado
De golfinhos mimados

A natureza a mil
Num albergue irado
Uma galera do Brasil
E um barman irritado

Adrenalina no ar?
Então bora pular!
Bunguee Jump modesto
De 200 metros

Antes de ir embora
Vejo praia e mar
Da saudade de casa
Nem preciso falar

Dizem que Cape Town
Se parece com o Rio
Mas sem Cristo do lado
Tem o clima errado

E no aeroporto
Devolvem o Picanto
Felizes da vida
Mas já de saída

O quê mais esperar
Desses Atromelados
Vagando nos ares
Pra todos lugares?

quarta-feira, outubro 24, 2007

Vídeo da África

Todos os créditos vão pro Ivan que editou tudo isso. Trabalho chato, mas no final com certeza valeu a pena. Acho que vocês vão gostar.

www.youtube.com/watch?v=SJvOOvwHAME

Egito

Mal chegamos no Egito já tivemos uma recepção que não deixou dúvidas que estávamos num país pobre. Depois de passar pela imigração e pegar as malas, entramos no saguão principal do aeroporto e um mundo de taxistas começou a nos abordar. Como a gente tinha lido no guia de viagem que muitas vezes essas taxistas aplicam golpes nos pobres (ou seriam ricos) turistas inocentes a gente decidiu usar o serviço de táxi do aeroporto. Isso tudo porque era pra ter alguém do nosso hotel esperando pra buscar a gente, mas esse alguém simplesmente esqueceu...

Saindo do aeroporto começou a aventura pelo trânsito da cidade. As linhas que marcam as faixas de cada carro são meros enfeites, ninguém respeita. Numa rua que teriam duas faixas, você vê três carros lado a lado e um quarto esperando para dar o bote se algum desses der bobeira. Não existe cordialidade nenhuma no transito, fechadas são autorizadas, basta buzinar antes e torcer pro cara de trás frear. Falando em buzina, ela serve pra tudo, realmente tudo. Você vê um carro na sua frente que possivelmente pode te fechar, buzina! Você vê um carro que possivelmente vai frear, buzina! Você quer colocar o seu carro entre dois carros mas não cabe nem metade, buzina! Você quer reclamar de uma manobra qualquer, buzina! Ou seja, dá pra imaginar o único som que você ouve nas ruas do Egito. Pra aumentar a bagunça do trânsito eles não respeitam muito os semáforos. Pra resolver esse problema no centro da cidade onde o trânsito é mais pesado os semáforos não funcionam mais e a cada esquina tem um guardinha pra controlar o trânsito.

Apenas algumas horas nesse país e já deu pra perceber, pela falta de estrutura e pela bagunça, que a gente tava num país beeem pobre. Mas a gente não tinha idéia do quê esperar, depois de tanto tempo de Europa a gente ficou mal acostumado.

Estando no Egito não poderíamos deixar de conhecer as pirâmides então fechamos logo uma van com o hotel pra levar a gente nos principais pontos turísticos da região. Paramos em vários lugares, inclusive um museu bem arrumadinho, mas as pirâmides com certeza eram a atração do dia. As pirâmides são gigantescas e imponentes, inimaginável pensar que elas foram feitas a mais de 4000 mil anos atrás. Mas ao mesmo tempo eu não fiquei tão empolgado com aquilo tudo quanto eu fico com umas paisagens naturais iradas.

No dia da visita às pirâmides eu achei que não tinha gostado tanto delas porque elas não eram lá essas coisas, mas o problema não eram elas e sim o ambiente em volta. Logo que chegamos dezenas de ambulantes vieram oferecer água, paninho de não sei o quê, passeio de camelo, e por ai vai. O problema é que eles não largavam do seu pé! E isso, junto com o calor infernal de uma da tarde do Egito, não me deixou apreciar muito bem as famosas pirâmides. Pra falar a verdade eu queria mais era me livrar dos ambulantes chatos e do calor do que admirar as pirâmides. Bem diferente de chegar no topo de uma montanha, sentar embaixo de uma arvore e admirar a paisagem. Ou de sentar no parque em frente a Torre Eifel e esperar o sol se pôr...

Enfim, deixando a análise das pirâmides e o impacto, ou falta de impacto, que elas causaram de lado vamos seguir.

Depois de conhecer os principais pontos turísticos dos arredores de Cairo era a hora de ir para Luxor, cidade que foi capital do Egito Antigo por um bom tempo.

Desembarcamos do trem e, para nossa surpresa, centenas de ambulantes vieram oferecer hotel. Como já tínhamos um em mente decidimos ir caminhando até lá por conta própria, mas o nosso mapa não era muito bom a gente obviamente se perdeu. Pra ajudar a gente a se perder tinham dois locais que não desistiam nunca de oferecer o hotel deles e de indicar vários caminhos estranhos a cada esquina que a gente passava. A galera já tava perdendo a paciência com esses locais, e os locais com a gente, e eu já tava vendo a hora que ia sair uma confusão. Felizmente não rolou confusão nenhuma e a gente cansou de procurar o nosso hotel e entrou no primeiro que parecia seguro o suficiente.

No primeiro dia em Luxor decidimos fazer um programa mais relax. Arrumamos uma Feluca, os barquinhos a vela que ficam navegando pelo Rio Nilo, com um “Capitão”, que não fazia nada, e um aprendiz de Capitão, esse sim trabalhava. Pegamos a Feluca umas 3 da tarde e partimos pra um passeio de pouco mais de duas horas pelo Nilo pra ver o por do sol. Esquema bem simples mas bem maneiro.

Com a mente mais relaxada partimos pro turismo por Luxor prontos pra ouvir tudo e mais um pouco dos locais que não deixam nenhum turista e paz. Fechamos de novo um pacote com o hotel e saímos pingando em praticamente todos os pontos turísticos da região. Tem muita coisa famosa e com certeza para arqueólogos e historiadores deve ser muito interessante, mas infelizmente o estado de conservação não é dos melhores. Tudo é meio largado como se não tivesse o menor valor e qualquer um pode destruir e ninguém não vai nem perceber. Em vários lugares não pode tirar fotos, não é bom para a conservação dos hieróglifos, mas não tem ninguém vigiando a não ser uns locais que chegam para você e falam que se você colocar cinquentinha na mão deles eles não vão falar nada pra ninguém.

Visitamos vários lugares e dois que mais chamaram a minha atenção foi o Templo de Karnak e o Museu de Luxor. O museu é algo totalmente à parte das outras coisas no Egito, com certeza deve ser mantido e administrado por estrangeiros porque é tudo muito bem organizado. O museu como um todo já é muito bom, mas não dá pra esconder que a atração principal fica por conta de duas múmias muito bem conservadas. Pra quem nunca viu uma múmia é algo meio difícil de explicar. Mesmo com mais de 3000 anos o corpo ainda tem pele, a pele escurece e dá pra perceber que não é um tecido vivo mas, ao mesmo tempo, não é simplesmente um esqueleto. Apenas algumas partes do corpo são exibidas e o pé, pra mim, foi uma das mais impressionantes. Esse parecia vivo, ainda tinha unha e também tinha o formato perfeito de um pé. Incrível.

O templo de Karnak é inimaginavelmente grande. Hoje ele está praticamente todo a céu aberto, mas na época do Egito antigo ele era coberto em algumas partes. Existe inclusive uma sala que era coberta na antiguidade que é maior do que uma Basílica de Londres e outra da Itália juntas (infelizmente não lembro o nome das duas basílicas, mas sei que eram grandes). Tudo bem que nessa sala tem tanta pilastra pra sustentar o teto que fica difícil ter uma noção exata da imensidão, mas dá pra estender né. Só de eles conseguirem fazer algo tão imenso naquela época já é impressionante, também não dá pra exigir vãos imensos quando eles só usavam pedras.

Feita a visita a Luxor era hora de voltar pro Cairo, pegar o nosso visto da Índia e visitar o Museu do Egito. Mesmo desafiando todos os prazos o nosso visto da Índia ficou pronto em tempo recorde, graças a atenção e a ajuda dada pela mulherzinha da embaixada. Com o visto na mão não tínhamos mais nenhuma preocupação e podíamos ir em paz, ou quase porque os locais e o transito não ajudam muito a paz do local, visitar o Museu do Egito. Esse museu não tem nada a ver com o de Luxor, é tudo largado e pronto. Mas só porque é tudo desorganizado não quer dizer que não tenha peças importantes. Tem uma sala só com múmias, mas como tinha que pagar extra pra entrar nessa sala e como a gente já tinha visto duas múmias muito bem conservadas em Luxor decidimos não entrar nessa parte. Outra ala que inegavelmente é a atração principal do museu é a sala com as principais riquezas encontradas na tumba de Tutankhamen. Lá tem uma máscara com nada menos de 11 kilos de outro maciço, essa máscara ficava sobre a cabeça da múmia. Daí essa múmia com a máscara ficava dentro de um sarcófago de ouro, que por sua vez ficava dentro de um sarcófago de madeira folheado a ouro, que ficava dentro de um sarcófago de madeira trabalhada. Tudo isso e mais várias jóias e obras de arte dentro dessa pequena sala. Dá pra ter uma boa noção da absurda riqueza em que viviam os faraós do Egito antigo.

Ah, quase esqueci de falar. Durante todo esse período que estávamos no Egito era Ramadã, mês em que os mulçumanos só podem comer antes do sol nascer ou depois do sol se por. Então quando dava 6 da tarde a cidade parava, realmente parava! O transito no centro da cidade que era uma loucura deixava de existir, não passava um carro e dava pra andar pelo meio da rua na maior paz (nosso único momento de paz durante o dia).

Então, acho que é isso. Sobrevivemos a nossa aventura pelo Egito e partimos para África do Sul. Mas isso é assunto pros próximos posts...

quinta-feira, outubro 11, 2007

Eslováquia, Polônia, Turquia e Grécia

Chegamos na Bratislava pra passar só duas noites, pior ainda, as noites de terça e quarta-feira. Pra complicar um pouco mais a quarta-feira era feriado nacional e quase tudo estava fechado. E como se isso tudo não bastasse ainda estava chovendo... Enfim, uma passagem rápida sem muito que falar a não ser o rápido turismo pela cidade e o ping-pong no albergue.

De lá fomos direto pra Cracóvia na Polônia, lugar que quase se tornou nossa casa. Isso porque o albergue era tão bom que durante o dia quase não saíamos de lá. Tinha ping-pong, sinuca e mini-cinema de graça, além, é claro, de lavarem nossa roupa de graça e terem churrasco toda noite. Dá pra entender porque a gente se apegou tanto, né?

Como a gente passava o dia quase todo no albergue a noite a gente não conseguia mais ficar naquele lugar e acabava saindo. A gente ficou lá de quinta a segunda e eu só não saí na noite de domingo. Pra tentar conhecer um pouco melhor a cidade saímos cada noite numa boate diferente. E no fim de semana conhecemos umas irlandesas do nosso quarto que depois deram o que falar. Vida noturna bem agitada e muito boa nessa tal de Polônia.

Ah, sim. Na Polônia encontramos com o Márcio e o Rogério, dois amigos do ITA. O primeiro tá trabalhando na República Tcheca e o outro estudando em Dublin. É bem estranho você ir conversando com a galera na internet e falar “Então beleza, a gente se encontra na Polônia” e depois de uns dias a galera se encontra.

Saindo de Cracóvia com os ânimos animados partimos pra uma das viagens mais peculiares até agora. Depois de pegar táxi, avião, ônibus, trem, ônibus de novo, trem de novo e táxi de novo a gente chegou em Istambul na Turquia. Não lembro se eu falei, mas como a gente não pôde ir pra Ucrânia a Turquia acabou ganhando vários dias a mais.

Ficamos três dias em Istanbul, encontramos a Duygu (amiga turca que morou no Brasil um tempo) e conhecemos Cistern Basílica, Hagia Sofia (que estava concorrendo as novas sete maravilhas, mas não ganhou) e o Blue Mosque. Tudo bem irado e foi uma ótima introdução pra tudo que a Turquia ia mostrar pra gente.

Depois disso a gente partiu pra Capadócia. Dormimos em hotel escavado na pedra e fizemos o passeio de balão. Muito estranho no passeio de balão é que a gente era os únicos moleques do grupo, mas também 150 euros por duas horas de passeio não é nada barato (to comendo miojo até hoje pra tentar colocar as contas em dia)... A região da Capadócia é bem antiga, é até citada na Biblia, então tinha bastante história para conhecer. Pra realmente conhecer o lugar a gente pagou dois dias de turismo com guia e tudo. Tudo bem que a guia não era das melhores, mas deu pra ter uma noção muito boa da região.

Chegamos então em Pamukkale e Ephesus pra conhecer as famosas piscinas de calcário que parecem neve, a cidade de Hierapolis e a cidade de Ephesus. As duas cidades ruínas são bem antigas e com o guia explicando pra gente um pouco sobre a história do lugar tudo ficou bem interessante. Eu até descobri que o símbolo da farmácia é uma cobra por causa da cidade de Hireapolis, já que naquela região haviam muitas cobras e a cidade de Hireapolis era conhecida como um grande centro de tratamento hospitalar (pelo menos foi o que o guia falou).

Como a gente tava ali do lado das ilhas gregas ao invés de ir pra Grécia por terra a gente decidiu ir pelo mar passando por umas ilhas gregas antes de chegar em Atenas. Como as balsas entre todas as ilhas gregas não rolam todos os dias a gente foi obrigado a sair pingando em algumas ilhas. Primeiro paramos uma tarde em Samos e de lá partimos para Mykonos (ilha bem famosa pelas festas que tem, mas como era fim de temporada e como a gente tá meio sem dinheiro decidimos não sair) e por último fomos pra Santorini. Passamos 3 dias em Santorini e aproveitamos bastante, Santorini foi indicada pra gente como umas das ilhas gregas mais bonitas e não deixou nem um pouco a desejar. Conhecemos praias de areias vermelhas, pretas, brancas e presenciamos um pôr-do-sol show de bola, um dos mais bonitos do mundo segundo os gregos.

Depois de muito relaxar nas praias de Santorini pegamos a balsa pra Atenas pra passar dois dias. Conhecemos Acropolis, alguns museus sobre a Grécia antiga e mais algumas coisas sobre essa cidade berço da civilização. O dia tava um pouco quente demais e a gente meio sem disposição pra ficar batendo perna pela cidade antiga, mas mesmo assim foi bem interessante conhecer toda essa história...

Com isso acabou-se a parte da Europa. Conhecemos vários países, cidades famosas, igrejas, museus, fizemos varios amigos de viagem, gastamos muito dinheiro, saímos em varias boates diferentes, enfim aproveitamos ao máximo a nossa estadia por lá. De lá partimos para a África, uma semana de Egito e duas semanas de África do Sul, que vão ser assuntos para os próximos capítulos.

Peço desculpa pela falta de detalhes nesses posts sobre a Europa. Mas como praticamente a cada três dias estávamos em algum lugar diferente era complicado atualizar o blog e mais difícil ainda contar os detalhes.

Lembrando, pra ver as fotos da viagem acessem http://picasaweb.google.com/matheus.beccalli.

terça-feira, setembro 18, 2007

Holanda, Alemanha, Republica Checa, Croácia e Hungria

Tem dois posts seguidos pra quem tiver paciência de ler...

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Na cidade onde as drogas naturais são liberadas, interessante ver como esse negócio funciona. E não é que funciona?! Maconha e cogumelo nada passou despercebido. Tudo vendido em vitrine com a maior naturalidade, vimos como é o outro lado da moeda. Funcionaria no Brasil? Acredito que não, no Brasil talvez seja melhor ficar com o primeiro lado da moeda.

Mas Amsterdam é muito mais do que isso. Cidade cheia de vida e movimento. Muito agradável de devanear perdido pela cidade... “Olha a bicicleta!” Opa, essa foi por pouco. Muito agradável de fato, mas fique longe da ciclovia! Para um pouco mais de tranqüilidade tem também vários canais e seus passeios de barco, vários bares, moinhos de vento e tradições holandesas nos arredores. Nos despedimos meio que sem jeito dos amigos que fizemos, amizade rápida e diferente que ficou na memória. Aí era chegada a hora de ir embora, como o tempo voou, mal percebemos passar os 4 dias. Cidade marcante com certeza e que constantemente é relembrada.

Uma rápida viagem de ônibus e chegamos na capital um dia dividida. Berlim guarda em cada esquina as marcas da segunda guerra mundial e da subseqüente divisão capitalista-socialista. Memorial do Holocausto, Muro de Berlim, Bunker de Hitler e vários museus. Mas como diz Santayana: “Quem esquece a história está condenado a repiti-la”. A história ainda está muito viva em Berlim e um erro como aquele da segunda guerra não deve se repetir tão fácil.

Berlim também marcou o reencontro dos cinco Atromelados que estão na Europa. Para comemorar uma cerveja na vendinha em frente ao albergue com umas francesas que dividiam quarto com a gente. Na manhã seguinte a primeira grande decepção da viagem, complicações com o visto tirou a Ucrânia do roteiro. Mexe aqui e ali, alguns pequenos ajustes e pronto, roteiro novinho em folha!

Não podia faltar um tour por Berlim. “Mas e aí, vamos andando? Que nada, bora de bike!” Bicicletas alugadas rodamos tudo que dava pra rodar em um dia, fizemos um exercíciozinho e ainda relembramos a infância. As francesas foram embora, chegaram as inglesas e partimos para o pub crawl. Dos pubs direto para a rodoviária, correndo na chuva com 25 kilos nas costas quase esquecemos de nos despedir da Europa Ocidental.

Fora da terra do euro tínhamos pelo menos a certeza de que íamos gastar menos. Mas a primeira parada foi Praga e as boates nos tiraram essa certeza e deixaram um pouco a desejar. Mesmo cansados de visitar cidades saímos para conhecer mais uma. Cidade bonita de fato, principalmente à noite, castelo, ponte, praças e estátuas. Um pouco entediados decidimos variar a rotina, nada que não pudesse ser resolvido com uma, ou melhor, duas corridas de kart.

Acabado o nosso passe de ônibus decidimos começar a viajar de trem e de Praga partimos para Nolvajia na Croácia. Cidade de praia sem igreja ou museu ou qualquer coisa famosa. Simplesmente uma cidade de praia onde não existe preocupação. Aconchegante, com uma vibe maneira e com algumas boates. Lugar perfeito para relaxar, refletir, trocar idéias com os amigos e tomar aquele banho de mar.

Na última noite ligamos pro Pato que estava de partida das Bahamas pra Índia. Muito show ver como está indo a viagem desse Atromelado que está viajando sozinho. Depois de muita conversa o Pato comenta do curso de meditação de 10 dias na Índia que ele ouviu falar. Idéia diferente que despertou muito interesse e até agora estou matutando como seria isso.

Como o paraíso não pode durar pra sempre saímos de Novaljia para o nosso único compromisso na Europa, data invariável no roteiro, a Love Parade de Budapeste. Veio, então, a segunda grande decepção da viagem: a Love Parade foi cancelada! Todos ficaram meio chateados mas mesmo assim Budapeste impôs respeito. Fizemos um tour pela cidade naqueles ônibus de turista e conhecemos bastante coisa, inclusive umas piscinas de águas térmicas que foi parada obrigatória no dia seguinte. Como não podia ser diferente saímos a noite e a cidade deixou uma impressão ainda melhor. Mais uma que ficou marcada na memória e que deixou saudades.

Saindo de Budapeste percebemos que a viagem pela Europa estava chegando ao fim. Somente mais duas semanas e meia e mais uma etapa da viagem estaria acabada... Mas os últimos países foram um fechamento a altura e saímos com a certeza de que não temos do que reclamar.


Sei que todo mundo quer ver fotos e como eu estou bem atrasado com os posts a melhor opção é vocês acessarem http://picasaweb.google.com/matheus.beccalli que tem muita foto por lá.

Antiquada Rebeldia de um Jovem Inerte

Mais um daqueles posts estranhos de pensamentos perdidos...


Campo de Concentração de Aushwitz, lugar triste marcado na história e na vida de mais de um milhão e meio de pessoas que passaram seus últimos momentos entre essas grades. História essa já muito forte e intensa, mas fomos realmente tocados quando vimos um grupo de judeus jovens, em torno de 20 e poucos anos, com bandeiras de Israel. Uns três tocando no violão uma música triste, alguns murmurando numa mistura com choro a letra da música e outros vários chorando e nada mais. Nesse momento tudo aquilo que para nossa visita era só história passou a ser presente. Triste ver como pessoas sofrem até hoje com erros cometidos há mais de meio século atrás...

Triste ver como só uma cena forte como essa te faz parar para pensar. Mas assim é feita a “evolução” da humanidade. Muitas vezes somos beneficiados por decisões acertadas de séculos atrás e tantas outras sofremos na pele por erros cometidos muito antes de nascermos. É incrível a capacidade humana de mudar tudo ao seu redor e como a decisão de alguns poucos pode mudar tanto a vida de outros muitos. “Com grande poder vem grandes responsabilidades”, simples verdade em muito esquecida.

Mas a nossa história quem fazemos somos nós. É muito fácil culpar políticos pelos problemas que vivemos, quando na verdade não paramos para analisar nossas atitudes. Como em muitos casos fingimos que não vemos simplesmente para não ter o peso na consciência de ter visto e nada ter feito.

É indignante ver como tantas pessoas têm o potencial de fazer algo significante na sociedade e decidem por não fazê-lo (e eu não me excluo desse grupo). Não estou dizendo que se deve abdicar de todos os prazeres pessoais para o bem da sociedade, mas a falta de intenção e até mesmo de pensamento em ajudar é frustrante.

E aí eu paro e tento descobrir quem ou o quê seria o culpado por essa indiferença e descaso. Às vezes eu penso que a culpa é da sociedade que não valoriza as pessoas que se preocupam e às vezes eu penso que somos nós mesmo que decidimos escolher o caminho mais fácil mesmo sabendo que não é o mais correto. Não posso indicar a resposta direta e correta e também nem acredito que exista, mas com certeza uma mistura desses dois faz parte dessa resposta.

Mas será que só porque você tem a consciência e a educação suficiente de pensar nessas coisas você teria a obrigação de agir de forma diferente? Será que só porque você faz parte da pequena massa educado do Brasil e do planeta você tem a obrigação de fazer a diferença? Claro que não! É o que você gostaria de ouvir. Mas eu te digo: Obrigação você não tem, mas se você que está nos 2,5% das pessoas mais bem educadas do mundo não fizer nada quem vai fazer? Nesse percentual cada um teria que ajudar 39 pessoas, e aí já ajudou as suas? Ah sim, é muito mais fácil fingir que o moleque da esquina não está morrendo de fome ou que não tem nada que você pode fazer para ajudar.

E muito raramente eu me pergunto (muito vergonhoso, eu sei) o que me faz melhor que um político corrupto, mas lembro que pelo menos a vergonha me permanece e a vontade de fazer algo melhor ainda existe e eu coloco a cabeça no travesseiro e durmo quase que em paz. Mas até quando isso vai bastar?

Na verdade a pergunta seria até quando a sociedade vai agüentar esse descaso e displicência principalmente por parte dos jovens? A rebeldia, aquela vontade incontrolável de achar que tudo estava errado e que era possível fazer algo diferente e melhor, é hoje mal vista de uma forma que a massificação se tornou a maneira mais fácil de convívio social. Que diferença faz se um jovem de 17 anos visitou um asilo e alegrou o dia de vários velhinhos se o amigo dele ganhou um carro zero?

Quantos gênios indomáveis estão sendo desperdiçados e quantos Hitlers estão sendo criados pelo incentivo da individualidade e competitividade? E sempre vai existir a pergunta: Se eu não pensar em mim, quem é que vai pensar? E querendo dizer a sociedade, mas vendo o seu olhar de utopia vou silenciar-me e entristecer...


Comecei esse post me questionando sobre a capacidade humana e depois de tanto pensar e escrever tive a certeza da capacidade de incapacidade humana. Fico triste, porém, que ainda não sei utilizar a minha. Mas me conforto com a sábia frase:

Sem saber que era impossível ele foi lá e fez!

terça-feira, agosto 28, 2007

Fotos: Madrid, Barcelona, Roma, França e Bruxelas

Sem muita enrolação ai vão mais algumas fotos da viagem...

 

Madrid:

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 Metrô de Madrid, o mais bem conservado que eu vi na Europa

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Santiago Bernabeu, estádio do Real Madrid

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 Protesto contra a tourada no centro de Madrid

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 Pub Crawl de Madrid

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 Eu e Felipera passeando pela Gran Vía

 

Barcelona:

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Cervejinha de 1 litro no albergue 

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 Sagrada Família

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 Sagrada Família

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Procurando como sair da rodoviária e chegar no albergue da forma mais barata possível e ainda tendo que pagar 1 euro pra usar a tomada!

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 Museu do Picasso

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Sinuca no albergue

 

Roma:

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 Colisseo

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 Praça São Pedro vista do topo do domo da Basílica São Pedro

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 Pra quem não sabe fazer baliza...

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 Por dentro da Basílica São Pedro

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 Fontana de Trevi

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 Pantheon

 

Paris:

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 Arco do Triunfo

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 Museu do Louvre

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 Notre Dame

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 Sacré Couer

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 Torre Eifel

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Champs Elysees

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 A grandiosidade de algumas obras do Louvre

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Torre Eifel à noite

 

Bruxelas:

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Delirium Bar, 2000 cervejas

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Praça Real

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Mais um museu que não entramos...

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Átomo (na verdade uma estrutura CCC hehehehe)

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Metrô sem catraca e sem fiscalização

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Cozinhando a melhor refeição dos últimos meses

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Bife, ovo mexido e salada. Iguarias na nossa viagem

quinta-feira, agosto 23, 2007

Vento no Litoral

Um post um tanto quanto diferente, eu admito. Queria fugir um pouco da descrição das cidades e tentar expressar parte do que passa pela minha cabeça durante a viagem. Lendo sei que não cheguei nem perto de expressar o que eu gostaria, ainda não tenho a capacidade literária. Mas acho que valeu a tentativa.


“Tudo acontecendo tão rápido, a cabeça não consegue processar. Chegou a hora? É, tá na hora! Arruma as malas pela 10ª vez, chega numa nova cidade e como a gente faz pra chegar no albergue??? Abre o laptop, pesquisa na internet, pega o metrô, depois o bondinho, anda um pouquinho, ufa, chegamos no albergue! Dorme, acorda e anda, anda, anda e cansa! Chega a noite no albergue, toma banho, sai para a boate, acorda de manhã e cadê todo meu dinheiro??? Faz as contas e descobre que o dinheiro não vai dá, TEM QUE DAR! Refaz as contas e descobre que ainda é possível, ufa! Arruma as malas pela 11ª vez, chega numa nova cidade e como a gente faz pra chegar no albergue mesmo??? Abre o laptop, pesquisa na internet, pega o metrô...”

E para quê mesmo toda essa correria? Ah, sim pra viajar. Mas viajar pra quê? É mesmo, viajar pra quê? Paro e matuto e as idéias dão um nó. Será que viajar só serve para sentir saudades do seu país natal e depois, quando acabar a viagem, serve só para sentir saudades dos lugares que você foi?! Pior ainda, por que a cada país que se passa tem que aprender tudo de novo? E por que tem que tomar tanta porrada pra aprender? Será então que viajar se resume a sentir saudades e tomar porrada, nada mais?

São tantas perguntas, mas fico feliz quando as respostas se tornam claras em momentos banais...

E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Até que chegamos numa cidade de praia e basta um banho de mar para parar o tempo e a correria. Tudo parece em câmera lenta. Bem devagar algumas imagens da infância e juventude vêem a mente. A querida Praia da Costa, Guarapari, Trindade, Ubatuba, Indonésia e quase parado no tempo tudo fica tão claro.

Basta chegar numa cidade de praia e sentir aquele clima diferente, não dá pra explicar. Não é o calor, não é a brisa do mar... é alguma coisa diferente. Talvez o balançar das ondas, ou o ar de despreocupação, ou mergulho no mar cristalino ou vôlei de praia num fim de tarde. Quem sabe seja a felicidade no rosto das pessoas ou a vontade de aproveitar a vida. Não sei o que é, é simplesmente outro estilo de vida.

Não adianta querer me enganar. Por mais que eu conheça novas cidades, cada uma com o seu charme e sua beleza, toda vez que chego em uma cidade litorânea a sensação é muito diferente. Não que as outras cidades não tenham o seu valor, mas elas não são a minha praia...

São nessas horas que eu percebo como algumas coisas que sempre me pareceram tão simples e banais na verdade tem um significado tão grande. Será que é preciso viajar tanto para aprender a dar valor a essas coisas banais? Talvez não, mas quando se viaja não tem como escapar desses pensamentos.

Durante a viagem as partes mais marcantes foram simples eventos entre amigos que poderia acontecer em qualquer parte do mundo. Uma cerveja com os amigos num apartamento de praia; uma macarronada com amigos que não se via há muito tempo; um vôlei na praia; um cachorro quente, um burrito e um mendigão; uma festa de aniversário; uma amizade vai-e-vem repentina na praia; zuações e besteiras em geral.

Não precisa viajar muito pra fazer essas coisas e nem precisa de muito dinheiro. Então pra quê se preocupar tanto com o emprego ou com aquela prova? Se na verdade você vai parar pra refletir e lembrar daquele jantar em família, daquele churrasco com os amigos e do sorriso daquela menina.

Tá esperando o que ainda? Vai chamar o seu amigo pra tomar um açaí, os seus pais para uma conversa cabeça e um alguém especial para o cinema! Se eu tivesse no Brasil não perderia mais tempo.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Espanha, Itália, França e Bélgica

Sair do Marrocos, do deserto, do calor, da bagunça, dos ambulantes e chegar em Madrid foi uma das melhores coisas da viagem. Ah, Madrid. Madrid de pessoas jovens; de gente bonita; sem medo de sorrir; sem medo de ser diferente; de piercings, nariz, boca, orelha. Cidade que anima o espírito de qualquer viajante. A segunda cidade na viagem que deu vontade de morar, mas não agora, não tão cedo...

De Madrid para Barcelona. Cidade que carrega o peso das expectativas turísticas das maiores festas européias, e deixa calado qualquer turista que disso duvida, e que assusta os desavisados e até os avisados. Onde o sol se põe as 9 e meia e a festa começa as 3 da manhã e nada funciona antes do meio-dia. Cidade escolhida por Gaudi e Picasso para ser chamada de casa. Onde esses dois famosos deixaram suas marcas: A Sagrada Família, o Parc Güell, o museu de Picasso, o engenhoso Cubismo criado por Picasso que finalmente tive a oportunidade de entender e que me assustou pela genialidade. Enfim, foi a cidade de pouco sono, muita festa e de vários amigos de viagem.

E que venha Roma. Mas antes dela veio as 22 horas de ônibus, a noite mal dormida e a dor no pescoço que me persegue. Roma que concilia o velho e o novo; do Pantheon de 55 A.C. que se ergue imponente e surpreendentemente depois de uma esquina qualquer; do Colisseu baleado e acabado mas ao mesmo tempo firme e forte no meio de Roma; das Piazzas e das Fontes e dos infindáveis turistas. E o metrô sujo e pichado que nos levava a todos os lugares nos levou para o Vaticano. E tive a impressão de que toda a riqueza do mundo estava ali. Obras de artes saltavam os olhos, e tudo banhado a ouro, e tudo imenso de uma imensidão desafiadora mas que paradoxalmente te faz sentir grande e te traz paz. E o que são 500 degraus para assegurar uma vista do topo do domo e de toda Roma? Nada mais que 4 euros, mas o que vão ser 4 euros quando eu tiver 40 anos?!

Da montanha onde a loba amamentou Rômulo para a cidade de Montesquieu, de Voltaire, de Robespierre, da bastilha – a Cidade Luz. Novamente, não antes das 21 horas de ônibus e mais dores no pescoço. E dez minutos de caminhada do albergue chegamos na mais aclamada torre, e pode saber que o que dizem sobre ela é verdade. E de lá para o Arco do Triunfo e a homenagem para o soldado desconhecido morto na primeira guerra. Caminhando para o Louvre sem deixar de passar pela famosa avenida Champs-Élysées. E no Louvre ficamos perdidos com tantas obras, várias que não despertavam qualquer interesse outras que nos espantavam pela grandiosidade e pelo detalhismo. Por recomendações não podíamos deixar de ir no parque em frente a torre ver o pôr do sol, e fomos e não digo mais nada a não ser: recomendo.

E porque não Bruxelas. Mas o que fazer em Bruxelas? Porque não ficar num bom albuergue, beber boas cervejas e cozinhar um bom bife. Ah, um bife! Não comia essa iguaria há um mês. E o metrô? Totalmente baseado na honestidade, sem catracas e sem ninguém para fiscalizar. Foi a hora de ir para os butecos com os amigos e fazer mais amigos. Foi também a hora de descobrir que estamos encrencados para arrumar acomodação em Dubrovinik na Croácia, alguma sugestão?

É já tem quase um mês de Europa e já conhecemos o suficiente para saber que nada conhecemos. E a boa sensação de viajar se mistura às vezes com a obrigação do turismo, mas aí a gente começa a discutir se deve ou não descer o oriente médio por terra até o Egito ao invés de pegar um avião em Atenas. Começamos a imaginar atravessar Síria, Líbano, Jordânia e Israel e o brilho volta aos nossos olhos, mas daí lembramos do perigo e decidimos tomar o caminho seguro. Decisão difícil, mas acertada e que espero não me arrepender depois. Mas que ia ser irado descer o oriente médio por terra iria...

domingo, agosto 05, 2007

Fotos: Alabama, Bahamas, Cuba e Marrocos

Sei que tava devendo algumas várias fotos, então ai vai...

Nosso "celeiro" no Alabama

A "coxinha", carro que a gente "alugou" pelo verão

O "brancão", carro que a gente comprou por 1200, concertou por 400 e vendeu por 500

Nossa praia de toda semana no Alabama

Festa de despedida no Alabama

Vista do Caribe ainda no avião

Strawmarket nas Bahamas

Centro das Bahamas

Señor Frog a melhor boate que a gente foi nas Bahamas

Cuba, o país da revolução

Andando em Cuba dá pra ver vários cartazes e outdoors atacando o capitalismo e, principalmente, os EUA

Mais um ataque direto aos EUA

"George Bush: Obrigado por nos ajudar a consolidar a revolução"

"Ronald Regan: Obrigado por nos ajudar a fortalecer a revolução"

Hugo Chávez mostrando as influências dele em Cuba

Um pouco de turismo em Cuba, voltando das Playas del Este

Che na praça da revolução

Praça José Martir, lugar dos discursos do Fidel

A capital cubana e toda a sua riqueza


Indo para o Marrocos

Segunda maior Mesquita do mundo, só perde para Meca. Casablanca

Chegando em Marrakech na estação de trem

Uma das vendinhas no meio da praça de Marrakech

Banheiro nos Marrocos

Confraternização no albergue. Filandeses, australianos, brasileiros e argentinos

Depois de comprar nossa passagem pro deserto

Passeando pelos mercadinhos de Marrakech

Perdidos em Marrakech tentando achar a salvação no Lonely Planet (guía de viagem)

Partindo para o deserto

Local de gravação de uma das cenas do Gladiador

Fazendo tapete marroquino

Mais uma do Gladiador

Gorge antes de chegar no deserto

Passeando pelo Gorge e tentando entender o inglês do guía

Preparando para o deserto e experimentando a roupa típica dos nômades do deserto

Preparando para jornada pelo deserto

Nossos camelos seguindo o guía para o acampamento

Meu camelo tentando trocar umas idéias com Felipe

Meu camelo e os suprimentos para nossa janta embaixo da cela

Perdido pelo deserto do Saara

Momento descontração

Só pode ser daqui que vem toda a areia do mundo

O pontinho preto no meio da linha da duna sou eu subindo para (tentar) descer de ski

Sósia, Felipe, Playboy, Ivan e eu na jornada de volta do deserto

Em algum lugar do Saará